É preciso ter autocompaixão
Por ser psicólogo de formação e amante desde adolescente dos mistérios da mente humana, sempre me permiti mergulhar em processos de autoconhecimento. Contudo, nos últimos dois anos mergulhei intensamente nesse processo. O motivo? Estava cansado – assim como você que está lendo este artigo também pode estar – daquela minha antiga versão. Ou, em outras palavras, sentia que podia fazer novas escolhas, usar efetivamente meus talentos e ser uma pessoa diferente, não melhor, mas simplesmente diferente.
Em busca da minha melhor versão e ao exercer mais autocompaixão, segui algumas etapas: primeiro RECONHECI que algo não estava ok, que havia um desconforto; segundo, eu me PERMITI olhar para este sentimento e entender qual necessidade estava por trás – nesta etapa descobri que precisava ouvir mais minha intuição e menos o que os outros diziam; terceiro DECIDI que precisava fazer algo a respeito desse novo eu que queria ser e, por último, eu AGI, ou seja, comecei a colocar em prática aquelas decisões – uma delas foi a de pedir minha saída de uma sociedade que estava envolvido há quase cinco anos e estudar sobre empreendedorismo.
Reconhecer, permitir-se, decidir e agir são as etapas que me levaram a experimentar a autocompaixão – esse sentimento de cuidar de si e colocar-se em primeiro lugar/priorizar-se. Algo extremamente difícil às vezes, não é mesmo? Porém, necessário às vezes, para que possamos subir de nível. O processo de autodescoberta não terminou, mas hoje sou muito mais pleno que antes. E se você também busca equilíbrio entre resultados e significado, continue comigo.
Com base na minha história de vida, compartilho aqui alguns pontos que podem fazer você se dar conta que é hora de exercitar a autocompaixão:
- VOCÊ ESTÁ VIVENDO MAIS AS HISTÓRIAS DOS OUTROS QUE AS PRÓPRIAS? Muitas vezes estamos vivendo uma realidade que é fruto de histórias que eu ouvi de pais, amigos, gestores, companheiros ou até de si mesmo – mas daquele seu lado sabotador. Comece a escutar sua voz interior (intuição) e experimente autocompaixão.
- VOCÊ ESTÁ ATENDENDO AS NECESSIDADES DOS OUTROS E NÃO AS SUAS? Ás vezes você pode sentir-se frustrado com o trabalho que realiza por não ouvir a sua necessidade de ter prazer enquanto trabalha, por exemplo, e não somente ganhar dinheiro pra pagar contas, mas também aprender ou deixar um legado. Reconhecer nossas reais necessidades é exercer autocompaixão.
- VOCÊ TEM SE SENTIDO RECORRENTEMENTE FRUSTRADO, MESMO SEM MOTIVOS APARENTES? Sentimos frustração quando alguma necessidade ou expectativa não foi atendida, seja na relação consigo ou com os outros. Este sentimento é simplesmente um sinal do seu sistema mente-corpo que precisa ampliar ou rever suas perspectivas em relação às escolhas que você vem fazendo. Será que vem subestimando seu potencial ou criando expectativas que pelas suas atuais competências não pode entregar? Escutar suas emoções desagradáveis como a frustração e ficar curioso sobre que informação ela quer te passar é exercer autocompaixão.
- VOCÊ TEM SE CRITICADO COM CERTA FREQUÊNCIA.? Já aconteceu de você ficar furioso consigo por ter feito ou causado algo que você não queria? Falamos coisas como “você de novo deixando sua conta bancária no vermelho! Que vergonha!” ou “você é um derrotado mesmo. Não conseguiu de novo manter o combinado de frequentar a academia!”. Pegar leve com você, aprender algo com a falha e considerar que uma parte de você é falível é exercer compaixão.
Poderia listar outros pontos, mas creio serem esses os maiores sinais de que você não está sendo tão legal consigo mesmo. Se você chegou até aqui, deve ter concordado ou quem sabe se identificado com essas reflexões. Se sim, o meu convite é que simplesmente comece a fazer diferente. Afinal, medo tem medo de ação!
Esse pode ser o primeiro passo para começar a viver uma vida mais autêntica e autorrealizada, ou seja, que te traga resultados sim, mas que venha com diversão, leveza e significado. Ah, e lembre-se: vai ficar pior antes de ficar melhor! Compartilhe aqui c como este artigo contribuiu pra você!
Peter Altoé Noronha é Psicólogo, Coach, Mestre em Administração e Especialista em Desenvolvimento Humano